Durante viagem de estudos realizada em 1995, eu visitei um sindicato em Nova York. Na sala de reuniões havia um cartaz com a frase: "Se você pensa que a educação é cara, experimente a ignorância". Acredito que hoje ninguém esteja disposto a manter-se ignorante a despeito do alto preço da educação. Todos os trabalhadores sabem a importância da aprendizagem ...
"A educação continuada é uma prioridade dos trabalhadores de todos os níveis, mas, decididamente, as empresas têm investido mais no andar de cima" José Emídio Teixeira.
Durante viagem de estudos realizada em 1995, eu visitei um sindicato em Nova York. Na sala de reuniões havia um cartaz com a frase: "Se você pensa que a educação é cara, experimente a ignorância". Acredito que hoje ninguém esteja disposto a manter-se ignorante a despeito do alto preço da educação. Todos os trabalhadores sabem a importância da aprendizagem permanente para garantir a empregabilidade e todas as empresas necessitam de trabalhadores educados para manter sua competitividade.
Constatada essa unanimidade, resta saber quem pagará o preço de manter os trabalhadores de todos os níveis sempre prontos a atender às demandas das mudanças na economia e na tecnologia. É claro que empresas e empregados preferiam não ter de arcar com esse custo, transferindo as despesas uns para os outros ou, o que seria mais cômodo, para o governo.
Na prática, isso não funciona e todos, incluído o governo, têm que se convencer de que a conta tem de ser compartilhada para se conseguir que o Brasil promova um salto qualitativo de sua mão-de-obra. Não há mais tempo para vacilar: este esforço conjunto já devia ter começado.
As empresas, mesmo sabendo da importância de investir na educação dos seus empregados, pressionadas pela necessidade de reduzir despesas, têm tratado essa questão de modo mais seletivo que no passado. Assim, escolhem algumas das alternativas para direcionar seus esforços: empregados de maior potencial; pessoal de nível gerencial; projetos com melhor relação custo-benefício.
Essa abordagem cria desgaste para as empresas já que um número cada vez maior de empregados está motivado para aprender e deseja fazer cursos subsidiados por elas. É um momento paradoxal já que os trabalhadores são cobrados para se manter atualizados, ma boa parte deles não encontra apoio das organizações para alcançar esse objetivo.
Houve uma forte expansão da oferta de programas de pós-graduação. Ela destina-se em grande parte a atender às demandas diretas e indiretas do mundo corporativo.
De um lado, as empresas encomendam programas fechados ou matriculam seus empregados nos programas abertos. Do outro, os trabalhadores buscam com seus próprios recursos financeiros a educação demandada pelo mercado. Parte deles não tem alternativa, pois as empresas não subsidiam seus cursos; muitos, no entanto, preferem pagar pelos programas para evitar a criação de compromissos com seus empregadores.
A educação continuada é uma prioridade dos trabalhadores de todos os níveis, mas, decididamente, as empresas têm investido mais no andar de cima. É claro que existem exceções, mas essas são cada vez mais raras. A maioria limita a educação corporativa para os operários aos programas ligados às necessidades operacionais, deixando de lado a preparação para outras funções.
Isso de certa forma é coerente com o modelo de planejamento de pessoal que dificulta a ascensão de quem está na base aos níveis mais altos da pirâmide, mas torna-se contraditório com o discurso vigente no mundo corporativo, que coloca os trabalhadores como diferencial competitivo das empresas.