
TI verde: mais economia e menos ecologia
Nas empresas, iniciativas de eficiência energética têm mais apelo pela redução de custos do que pela sustentabilidade
Um dos assuntos que tem pautado debates corporativos, planos governamentais e até algumas conversas de elevador é a iminência de uma crise energética. Com mais pessoas inseridas no mercado consumidor, um crescimento do consumo por parte daquelas que já estavam integradas a este mercado, há o aumento da necessidade de produção e de armazenamento de dados. O resultado de tudo isso é refletido na estimativa da Agência Internacional de Energia, que prevê que a demanda de energia global cresça de 50% a 60% até 2030.
O problema é como o mundo vai conseguir gerar esta energia no tempo necessário - e, de preferência, sem que os preços subam demais e esgotar as fontes dos recursos necessários para esta geração. Parece uma equação que não fecha. Os custos da energia sobem e os ambientalistas cada vez mais criticam os equipamentos e sistemas que gastam muita energia.
Preocupadas com estas questões (bem mais com a primeira - os custos - do que com a segunda - o meio ambiente), as empresas têm buscado alternativas para conseguirem mais eficiência, principalmente nos data centers, apontados como as maiores gastonas de energia.
Para se ter uma idéia, apenas nos Estados Unidos elas utilizaram 1,2% de toda a energia consumida do país em 2005, de acordo com um estudo do Lawrence Berkeley National Laboratory. Considerando que a energia consumida pelos data centers dobrou entre 2000 e 2005 e que os dados armazenados nela - e, portanto, a demanda por mais processamento, mais espaço e mais energia - só vai aumentar. Neste cenário, os usuários correm em busca de sistemas cada vez mais eficientes e fornecedores se acotovelam para conseguir mostrar quão verde suas ofertas são.
Embora na maioria das vezes estas ofertas não passem de uma nova embalagem para produtos que já estavam disponíveis ou que iam ser lançados de qualquer maneira, elas são o que há de mais concreto em termos de TI verde. E o discurso das fabricantes tende a ser mais realista.
David Anderson, executivo que lidera as iniciativas da IBM em TI verde, afirma que as empresas querem gastar menos com infra-estrutura e manutenção e é isto o que buscamos oferecer".
A Big Blue classifica como "verdes" produtos já existentes e que podem atender às necessidades de redução de recursos como água e energia elétrica e também sistemas de virtualização e softwares e serviços que gerenciam a utilização da infra-estrutura.
Além desses, anunciou o Big Green, projeto no qual está sendo aplicado US$ 1 bilhão e que consiste em diagnóstico das instalações existentes, construção de data centers eficientes, virtualização, gestão de energia e refrigeração eficiente.
A Unisys está apostando fortemente na virtualização. Parceira da VMware, a empresa afirma que consegue colocar dez máquinas virtualizadas em uma máquina física. É possível reduzir em 30% a 35% os gastos de energia elétrica e refrigeração, diz Sérgio Rubinato, líder de programas estratégicos da companhia.
Ele menciona ainda o aumento do valor da imagem das companhias que se mostram preocupadas com a questão de eficiência e que só poderá ser efetivamente medida daqui um tempo. Mas, no Brasil, o estágio ainda é de conscientização. Estamos mostrando para as empresas onde elas podem melhorar, diz Rubinato.
As novas famílias de processadores de núcleos múltiplos também oferecem maior eficiência no aproveitamento de energia. Há dois anos, os processadores com um único núcleo consumiam cerca de 130 watts. Os processadores com quatro núcleos, lançados em 2007, reduziram este consumo para 50 watts por unidade -12,5 watts por núcleo.
Medidas mais simples
O ganho de eficiência nem sempre precisa passar pela troca do parque de tecnologia. Anderson, da IBM, diz que, muitas vezes, medidas simples podem gerar economia de 40% a 50% no consumo de energia nos data centers. Entre estas iniciativas estão a troca de portas em forma de grade - que permitem a dissipação do frio gerado pelo ar condicionado - por portas totalmente fechadas, que garantem uma melhor utilização da refrigeração.
A própria IBM vai utilizar o Big Green para cumprir a meta de, até 2011, dobrar sua capacidade computacional mantendo o mesmo nível de utilização energética e reduzindo o espaço necessário.
Rubinato, da Unisys, afirma que o melhor gerenciamento do parque de TI, com a programação para desligamento ou hibernação de acordo com a atividade da máquina, bem como a consolidação dos desktops, podem ajudar nesta corrida.
A gestão de recursos é outra opção apresentada pela indústria de TI. Fernando Simões, gerente de marketing estratégico da Siemens IT, cita o SAP Enviornmental Compliance, uma aplicação baseada em web para a gestão ambiental e de recursos. Apesar do nome, se o ERP dele for de outro fabricante, Simões garante que a aplicação pode ser integrada aos módulos de produção.
26/05/2008
Fonte: Jordana Viotto