
Software e hardware como serviço transferem responsabilidade para fornecedor
Um dos maiores atrativos dessa modalidade de operação é o fim da preocupação com equipes de tecnologia, backups sistemas de segurança.
A oferta de software e hardware como serviços começa a conquistar companhias, que apostam nesta facilidade como uma despesa de menor impacto nos orçamentos e, ao mesmo tempo, buscam a gestão de algumas atividades baseadas em contratos com níveis de serviços assegurados (SLAs, do inglês service level agreement). A idéia é facilitar as rotinas do dia-a-dia e transferir as preocupações da área de TI para quem entende do assunto.
Além da promessa de corte de despesas, um dos maiores atrativos dessa modalidade de operação é o fim das dores de cabeça com grandes equipes de tecnologia, backups, CPDs e sistemas de segurança - tudo vai parar no colo dos fornecedores dos serviços, que mantêm software e equipamentos sempre atualizados. Na visão de especialistas do mercado, o cliente paga pela facilidade e pode se dedicar às atividades principais do negócio que, na maioria das vezes, não é comprar máquinas ou gerenciar times técnicos.
É o caso da Pizza Hut paulista, rede de 15 restaurantes na grande São Paulo - a maior operação franqueada da marca no Brasil, com um faturamento de R$ 50 milhões por ano. A compra de hardware e software como serviço começou no inicio de 2007 e já mostra bons resultados. "Contratamos três servidores, hospedados no data center da Picture Soluções, além de um firewall, hardware e sistemas operacionais", explica Reynaldo Zani, diretor de operações da Pizza Hut na Grande São Paulo. "Nosso negócio não é tecnologia, então, por que deveríamos investir uma fortuna para comprar equipamentos e sistemas que se tornarão obsoletos rapidamente?", pergunta.
Outra tarefa de Zani era manter a área de TI para garantir que tudo funcionasse perfeitamente - o que representava mais gastos no fim do mês. "Reduzimos investimentos e custos operacionais. Quanto à tecnologia, ganhamos em segurança, praticidade e conforto." Segundo o executivo, quando um dos servidores sai do ar, a fornecedora resolve o problema no ato e garante o perfeito funcionamento das operações. "O contrato cobre a reposição imediata de equipamentos e, na maioria das vezes, só fico sabendo que houve uma falha técnica depois que tudo foi resolvido."
Custo atraente
Para Armando Masini, diretor da consultoria Altran na América Latina, entre os principais diferenciais da oferta de TI sob demanda estão o baixo investimento do cliente na operação e a terceirização da gestão com a aplicação de SLAs. "A estratégia dos fornecedores é garantir às empresas que a sua demanda será tratada por especialistas, que levarão em conta o nível do serviço, sem a necessidade de nenhum esforço por parte do cliente, que poderá focar toda a sua energia em sua atividade-fim."
Com a oferta de serviço em pauta, o comportamento dos fornecedores mudou. Para o consultor, o prestador precisa dar mais atenção ao trabalho contínuo que pretende oferecer e não simplesmente à venda de um item isolado. "O acordo de serviço tem de ser respeitado." Masini acredita que a oferta do recurso no Brasil ainda é tímida, mas o mercado promete. "A telecomunicação é uma área que tende a ser tratada cada vez mais como serviço, principalmente, em organizações que não têm este setor como foco do negócio."
Quem também adotou tal forma de trabalho foi a corretora AC Gonzaga, que usa um serviço gerenciado de segurança da McAfee desde 2004. "Conseguimos aumentar a produtividade e reduzir custos relacionados à contratação de um técnico toda vez que a rede era infectada por vírus", diz Aline Gonzaga, sócia-proprietária da empresa, que já vendeu dois mil seguros em diversos ramos de atividade.
Antes de assinar o contrato, a AC Gonzaga optava pelo modelo tradicional de compra de antivírus em caixas. Mas a falta de atualização do sistema causava transtornos como a interrupção do trabalho e até conflitos entre áreas da companhia. Hoje, o serviço protege os seis computadores da corretora e faz a atualização automática dos sistemas, sempre que as máquinas se conectam à web. O investimento anual é de R$ 703,08, dividido em 12 parcelas. "Para uma pequena empresa, a facilidade ajuda a manter o capital de giro, fundamental para a continuidade das atividades", afirma Aline.
Fôlego dos fornecedores
Do outro lado do balcão, os fornecedores de produtos também se mostram satisfeitos com o ritmo dos negócios. A Crivo, por exemplo, que tem o software como serviço como único modelo de venda, garante um menor custo para o cliente graças ao corte de despesas com implantação, suporte e treinamento.
A companhia oferece o software Crivo, que faz a análise de crédito e risco para bancos, financeiras, seguradoras, empresas de telecom e varejistas. O cliente paga apenas pelo número de operações realizadas e, quando contrata o serviço, recebe um pacote, que inclui treinamento, implantação, suporte, desenvolvimento e atualizações do software. "Estamos neste negócio desde 2000, ano de fundação da Crivo, e já conquistamos 54 clientes no modelo", revela o diretor de relacionamento Rodrigo Del Claro.
Só em 2008, a companhia pretende crescer cerca de 100%. Para o executivo, o interesse dos clientes por esse filão vem da falta de obrigatoriedade de um aporte inicial e baixos custos na implantação do serviço. "O gasto entra em cada uma das transações do processo e não como um investimento a mais", justifica.
De olho no crescimento dos serviços, a Datasul, tradicional fornecedora de sistemas, partiu para parcerias com o intuito de abocanhar parte deste mercado. Em 2005, depois de um acordo com a IBM, criou uma unidade para vender terceirização de serviços e softwares. "O gerenciamento de hospedagem é feito no data center da IBM, em Hortolândia (SP), e, hoje, as duas companhias já possuem cerca de 400 clientes em conjunto", diz Paulo Caputo, diretor de novos negócios da Datasul.
No fim do ano passado, a companhia anunciou outra iniciativa para complementar a oferta de serviços. Fechou um acordo com a Salesforce.com, do setor de SaaS (sigla em inglês para software como serviço), tendo como projeto piloto o desenvolvimento de uma solução de gestão de frotas.
Ao longo de 2007, outras iniciativas reforçaram o poder de fogo da unidade de negócios da empresa, como o estabelecimento de alianças com companhias especializadas no fornecimento de serviços de terceirização de recursos humanos, contabilidade e finanças. Em julho, adquiriu a Soft Team e incluiu no seu portfólio de outsourcing mais soluções para a área fiscal.
06/03/2008
Fonte: por Jacilio Saraiva / Especial para InformationWeek Brasil