
Voz pela Internet cresce com serviços
A cifra movimentada por essa tecnologia deve chegar a R$ 1,5 bilhão este ano.
O mercado de telefonia pela Internet (VoIP) para 2006 planeja oferecer outros serviços além das ligações: videoconferência, mensagem curta de texto com voz (SMS), mensageiros instantâneos e gerenciamento inteligente do recebimento de chamadas são apostas que os empresários fazem para elevar suas receitas. A cifra movimentada por essa tecnologia deve chegar a R$ 1,5 bilhão este ano.
A transmissão de serviços de voz e dados via Internet veio para ficar. Quem faz essa avaliação é Luiz Cezar Fernandes, presidente da empresa fluminense Taho . Atuando há um ano no mercado, a empresa acredita que a sua base instalada irá aumentar 400%. A intenção é atingir 2.900 municípios e ter um tráfego de 100 mil minutos por dia.
Dois fatos explicam o crescimento da telefonia VoIP: a convergência dos softwares usados e a demanda por ligações de longa distância a preços mais módicos. "Em 2007, todos os programas para telefonia no computador serão interoperáveis. Isso deverá aumentar ainda mais o uso dessa telefonia. A transmissão via IP permite ganhos de escala que o serviço de telefonia fixa não consegue alcançar", explica Fernandes.
A CMSW também é prova tanto do crescimento quanto da precocidade dessa tecnologia. Operando desde abril passado, a empresa acredita que sejam 500 mil os usuários do seu programa para telefonia via Internet. Agora a empresa foca em clientes corporativos, como as empresas de atendimento (call centers).
Orli Machado, diretor da empresa, conta alguns dos planos da CMSW: "a tendência dessa tecnologia é cada vez mais agregar valor aos serviços prestados. Quem focar apenas nas ligações vai ficar para trás. Investimos US$ 3 milhões no ano passado e repetiremos esse montante em 2006", revelou.
A Awaya , empresa norte-americana de estrutura tecnológica para telecomunicações, também aposta nos centros de atendimento para alavancar suas vendas de serviços. Consolidada no segmento de grandes empresas, a empresa agora cobiça as pequenas e médias. "Das 20 maiores empresas de atendimento do País, 19 usam a nossa tecnologia. Vamos investir nas pequenas e médias para crescer 40% este ano", diz Thiago Siqueira, gerente de soluções.
José Carlos Rocha, gerente de telecomunicações da central de atendimento Atento , explica como a tecnologia VoIP se integra ao ramo de atendimento: "É um erro pensar nessa tecnologia apenas para reduzir custos. Ela faz o roteamento entre os sites da Atento e evita redundância no recebimento das ligações.", explica. A empresa investiu R$ 25 milhões desde 2003 para implementar essa tecnologia.
Em termos práticos, significa dizer que, se há algum problema com o centro de atendimento no Rio de Janeiro, a ligação é recebida pelo centro de Salvador e repassada para o Rio pelo sistema interno de telefonia IP da empresa.
As vantagens dessa tecnologia são explicadas por serem baseadas em software. "O sistema TDM (cabeamento atual) não permitiria uma situação como a descrita acima e tem uma capacidade de atendimento três vezes menor", complementa Rocha.
Ainda que a empresa não focasse em economia quando investiu na telefonia por Internet, esse fator é algo também presente: "A Atento chega a ter uma economia de 20% a 30% em recursos de telecomunicações."
A paranaense Vono aposta também em clientes que estão fora do País. "Há cerca de 2 milhões de brasileiros fora do Brasil. É um mercado atraente e pouco explorado", fala Vicente Barsted, gerente de marketing.
Dos 100 mil atuais clientes da Vono, metade está fora do território nacional. Para entrar na briga pelo mercado, a empresa paranaense aposta em três fatores: tarifas mais baixas, área para ligações locais cobrindo 146 municípios e serviços como gerenciamento inteligente das chamadas não atendidas. "Nossa área de ligações locais cobre 146 municípios no País, cobrando 11 centavos por minuto. Além disso, agregamos serviços como SMS, mensageiro e gerenciamento inteligente de chamadas. De acordo com o horário ou o número da pessoa que telefonou, o sistema decide se transfere para o meu número fixo ou para o celular", finaliza ele.
Num mercado onde a precocidade é a regra, a Transit quer ser a exceção. Em janeiro a empresa anunciou parceria com a britânica Skype , pioneira mundial nessa tecnologia. Embalada no sucesso do software da parceira, a Transit tem a ambiciosa meta de atingir 30 mil clientes em comparação aos atuais 3 mil. Os planos da Transit podem ser adquiridos a partir de R$ 39, 90 anuais e têm a expectativa de atingir o segmento das pequenas e médias. Hélio Watanabe, diretor da empresa, não fala em números, mas dá pistas sobre a estratégia da Transit: "Estamos desenvolvendo produtos para o mercado corporativo, com preços 20% mais baratos do que a telefonia tradicional. Queremos atacar o mercado de longa distância".
28/03/2006
Fonte: Jornal DCI - Charles Nisz