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No ritmo das máquinas virtuais

A tecnologia ainda é nova, mas os CIOs brasileiros já exploram a virtualização de servidores. Com isso esperam consolidar o ambiente de TI, reduzir custos e responder mais rápido às áreas de negócios

Modernizar a infra-estrutura tecnológica do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, é a missão de Sergio Arai, CIO da instituição. Na lista de projetos para 2006, ao lado de um sistema de criptografia para a rede sem fio, figura a virtualização dos servidores. "Já faz alguns anos que buscamos padronizar nosso ambiente. Agora encontramos uma tecnologia que permite reduzir ainda mais as despesas com gerenciamento e otimizar os recursos de hardware e software", diz Arai, de olho em diversos servidores do hospital que ainda apresentam taxas de utilização abaixo de 30%. "Com a virtualização, podemos deslocar recursos das máquinas ociosas para as sobrecarregadas", afirma.

Arai está prestes a entrar para o restrito rol dos CIOs brasileiros que já vivem no mundo da virtualização, a tecnologia que emprega software para transformar um servidor físico em várias máquinas virtuais. Trata-se de uma tendência recente, ainda restrita a grandes ambientes de TI. Mas os resultados obtidos pelos early adopters impressionam. Basta conferir o caso da AGF Seguros, relatado pelo seu CIO, Emílio Vieira: "A AGF possuía 14 servidores de bancos de dados e 25 de aplicações. Depois da virtualização, concentramos o banco de dados em três máquinas e as aplicações em cinco".

Durante os últimos 20 anos, as empresas montaram a infra-estrutura de TI de forma desorganizada. Cada necessidade de expansão era suportada pela aquisição de mais hardware. O banco de dados ficou pesado? Hora de comprar um servidor. Uma nova aplicação? Outra torre a caminho. "Criamos um parque imenso e heterogêneo. Toda vez que precisávamos instalar um aplicativo, um servidor vinha a reboque", diz Vieira. Ao longo do tempo, esse hábito produziu uma falta de eficiência generalizada nos ambientes de TI. Em qualquer empresa, é comum encontrar servidores ociosos. Taxas de utilização abaixo de 10%, segundo o Gartner, são verificadas com freqüência. Muitas companhias possuem servidores de fabricantes diferentes rodando versões antigas e atuais de sistemas operacionais. Entre as causas dessa confusão está o fato de que nem sempre houve uma exigência de padronização. Atendida à demanda do usuário, o CIO podia dormir tranqüilo.

Novo ciclo de renovação

Com a pressão sobre os orçamentos de TI, a ineficiência deixou de ser tolerada nas empresas. Segundo a IDC, o custo mensal para manter rodando um servidor de aplicação varia de 500 a 3 mil dólares, sem contar os gastos relacionados com backup, conectividade de redes e energia. Multiplicando esses valores pelas dezenas de servidores que podem ser encontrados numa empresa, é possível ter uma idéia de quanto se gasta para manter a ineficiência.

Contra o desperdício de recursos, algumas tecnologias de hardware que amadureceram nos últimos anos estão se tornando uma alternativa segura para as empresas. A computação de 64 bits, que suporta aplicações mais robustas, já é realidade entre servidores. Mais recentes, os processadores multicore, de vários núcleos, e os multithread, que executam mais de uma instrução ao mesmo tempo, prometem impulsionar o desempenho dos servidores. São esses novos chips que permitem o emprego de softwares de virtualização. Basicamente, há dois tipos de programas desse tipo. Os gerenciadores de máquinas vituais, como o Microsoft Virtual Server, que promovem a virtualização a partir do sistema operacional. E o tipo que estabelece uma interface direta com o hardware, como o VMware e o Xen. Ao criar máquinas virtuais, esses softwares permitem explorar mais racionalmente o poder de processamento, eliminar servidores ociosos e reduzir custos de manutenção e administração. Além disso, permitem que o CIO entregue à empresa um custo total de propriedade mais baixo com ganhos importantes em termos de
flexibilidade e agilidade.

Em paralelo à evolução tecnológica, um novo ciclo de upgrade de servidores vem ocorrendo em todo o mundo. O fenômeno era esperado pela indústria de TI. Por causa do bug do milênio, houve uma intensa troca de equipamentos, há seis ou sete anos. Hoje, esses produtos se tornaram obsoletos, o que leva a uma nova temporada mundial de compra de servidores. A consolidação e a virtualização têm se beneficiado dessa tendência. Uma CPU nova é capaz de substituir uma série de máquinas antigas sem prejuízo do poder de processamento.

No Brasil, essa fase de renovação tem se mostrado mais intensa, motivada pela valorização do real e pela estabilidade econômica dos últimos dois anos. Por causa disso, o faturamento do mercado nacional de servidores cresceu 25% em 2005, ao passo que o mercado mundial aumentou apenas 4,2%. A análise de muitos fornecedores é que os CIOs brasileiros adiaram o quanto puderam a renovação de seus parques na tentativa deconter despesas. "Hoje,em algumas empresas brasileiras, o custo de manutenção de máquinas já supera o valor para financiar um novo equipamento", diz João Alves, presidente da integradora Mainline.

O ciclo de renovação no Brasil é tão intenso que produziu até uma ligeira alta no valor médio dos servidores padrão x86, que atualmente representam 90% do mercado nacional em número de unidades. Segundo a IDC, isso se deve, principalmente, à migração de sistemas como ERP e banco de dados e de aplicações técnicas para essa plataforma.

A janela de oportunidades aberta pela combinação entre máquinas velhas, preços baixos e novas tecnologias fez com que a renovação da infra-estrutura de TI se tornasse uma das prioridades para os CIOs em 2006. Segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey com 77 CIOs de grandes empresas americanas, mais de 53% deles investirá na modernização de suas infra-estruturas de TI. E entre os que irão investir nessa área, a troca de servidores desponta como a ação mais importante. O Gartner aponta a virtualização de servidores como uma das dez prioridades para os CIOs em 2006. E, segundo a IDC, o investimento mundial em máquinas virtuais deve chegar a 15 bilhões de dólares em 2009.

O termo virtualização nasceu nos tempos do mainframe. Na atual versão para servidores e storage, um software permite que cada máquina real seja multiplicada em várias máquinas virtuais. Desse modo, as empresas conseguem enxergar a capacidade de processamento total disponível, independentemente do servidor. As aplicações não ficam restritas a um único computador e os usuários não percebem que estão compartilhando recursos. De acordo com a demanda por processamento, o poder computacional pode ser deslocado de uma aplicação para outra. "O exemplo clássico é o da folha de pagamentos", afirma Arai, do Hospital Albert Einstein. "Durante os dias que antecedem o pagamento dos salários, o processamento dessas informações atinge um pico. Podemos deslocar recursos de outras áreas para atender a essa demanda específica", diz.


26/04/2006
Fonte: IDG Now

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